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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

aqui estou, mais um dia

no fim do ensaio 'the taste of freedom', bikkhu bodhi diz:

Em sua plenitude, a liberdade para a qual o Buddha aponta como a meta do Seu ensino só pode ser experimentada por aquele que conquistou a realização da meta, algo que diz respeito a sua vívida experiência pessoal. Mas assim como o sal empresta o seu gosto a qualquer comida que tempera, assim também o sabor da liberdade penetra toda a Doutrina e Disciplina proclamadas pelo Buddha, no começo, meio e fim. Qualquer que seja o grau do progresso em que estamos na prática do Dhamma, na correspondente extensão pode o sabor da liberdade ser sentido. Sempre deve ser levado em consideração, contudo, que a liberdade verdadeira — a autonomia interna da mente — não surge como um presente da graça. Só pode ser obtido pela prática do caminho que conduz à liberdade, o Nobre Caminho Óctuplo.
mas tem dias terrivelmente quentes em que você acorda suando. ainda que sem saber o que é caminhar sob a mira de uma hk, sente que está verdadeiramente emaranhado. o calor, pequenas coisas, a coprofagia da sua yorkshire, um conflito que surge entre a renúncia e o sorvete de chocolate com paçoca, entre a meditação, a tv por assinatura e a internet. você imagina como seria pular ao invés de transitar por aquela mesma ponte, de todo mesmo dia.
tem dias em que olhar para cima e não ver nada, olhar para os lados e ver tudo, olhar para o espelho e ver só aquilo que tem para ver, te leva a sentimentos confusos que não se decidem alegria ou tristeza. e agrilhoam.
não.
tem dias difíceis.
neste dia você conversa com um bom amigo, que aos seus olhos tem motivos para não ser como você está.
mas este amigo diz que sim, que você tem razão, que a vida é realmente o que parece. que tudo dói e viver é um desastre que sucede a alguns. e aí você sabe que este é, com toda a certeza do mundo, um bom amigo. um bom amigo por não dizer que a vida é bela, que há um sentido maior, que tudo vai acabar bem no final. não. um bom amigo te diz a verdade. e você decide o que fazer com ela.
e você lembra de um outro texto, talvez de um outro autor, não lembro, em que é dito para que nos matenhamos conscientes de uma coisa muito importante: tudo, todo momento, todo movimento é dependente de condições.
e aí brilha uma centelha.
aí, apesar de nada mudar, apesar de tudo, parece que você tem escolha. aquela liberdade da qual falou o bikkhu bodhi começa a clarear a sua frente.
se você está aqui, o fim é certo. todo o sofrimento continuará, é só isso, você está preso. mas você pode escolher continuar presa das condições que fazem você imaginar o salto, ou escolher as condições que vão te fazer atravessar para o outro lado. você pode escolher ceder ao hábito de querer que tudo mude ou pode escolher a alegria de estar se aproximando da verdade pela contemplação da verdade visceral que se apresenta. pode escolher a alegria de resistir, a alegria de desistir, a alegria de saber aquilo que pode no momento: Qualquer que seja o grau do progresso em que estamos na prática do Dhamma, na correspondente extensão pode o sabor da liberdade ser sentido.
e nada muda, mas aqueles sentimentos, antes confusos, agora você sabe: uns são alegria, outros são tristeza.
você sabe alguma coisa da verdade.
você escolhe o que fazer com ela.



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