What is your language?

Bornes relacionados com Miniaturas

Buscando...?

Mostrando postagens com marcador exotismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador exotismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

nós nos amamos muito

temos uma danosa dificuldade de nos enojar de nós próprios. 
conhecer nossa doença, passo fundamental para o processo de cura, é coisa que dificilmente passa pelas nossas cabeças sempre ocupadas com a avidez de viver. nem mesmo reconhecer os incontáveis e óbvios sintomas que abundam em pensamentos, palavras e ações, principalmente ações. 
fugimos em manada. seguimos nos atropelando a cabeçadas. 
não falo de odiar-se, ou cultivar baixa auto-estima, não é isso. tais coisas me parecem ser uma outra face da moeda do egotismo. quem tem este tipo de problema parece não se enxergar merecedor da imensa paixão que sente por si próprio.
acredito que precisamos cultivar, como buddhistas, a capacidade de nos enojar de nossas condutas inábeis, aquelas que não nos aproximam da meta, do nibbana, do apagamento da chama, ou seja, nos enojar de muita coisa.
mas nosso amor não permite. 
os sinais podem ser vários que damos um jeito de 'não... não é tão grave', 'ele (ou ela) mereceu', 'me provocou', 'todo mundo faz', 'preciso viver!'... e por aí seguem as infinitas estratégias da paixão.
apontar o outro é sempre mais fácil, então eu, tirando proveito desta facilidade, vejo sempre isso, essa dificuldade das pessoas em dar ouvidos, olhos e atenção para si mesmas e para os efeitos que causam sobre o ambiente e os outros ao seu redor. nenhuma disposição para enxergar que mancamos, andamos meio tortos num mundo, por si, meio torto.
caso você tenha chegado até aqui vou dizer o porquê dessa nova mesma coisa de sempre neste repetitivo blog: estava lendo, numa comunidade de divulgação buddhista, sobre o problema das 'novidades' no buddhismo. discutiam sobre o pitoresco e os perigos das 'novas abordagens' que surgem cada vez mais, conforme o buddhismo vai se acomodando no ocidente.
as novas denominações religiosas sempre ganham a minha atenção, na minha região surgem inúmeras, qualquer dia eu conto, só na minha cidade, quantas diferentes existem e publico em algum lugar. e isso é um fenômeno desde que uma religião começou, o buddhismo não está livre hoje como nunca esteve ao longo de sua milenar história.
mas o que isso tem a ver é que aquilo que insisto sempre ser a abordagem do Buddha com respeito à vida é um poderoso sistema de defesa contra tais novos profetas. estivéssemos dispostos a abordar a vida como uma doença e a investigar sob tal abordagem, talvez fôssemos melhor blindados contra as propostas de melhoria que nos apresentam. uma vez que 'todo fenômeno composto é sofrimento' me aproximo de qualquer pessoa atento aos defeitos, às falhas, aos sintomas da doença de viver que ela apresenta. isso não é arrogância ou preconceito, de forma alguma, porque eu próprio, obviamente, me vejo desta exata forma. você pode dizer que é uma forma meio negativa de viver, aí eu respondo: é, pode ser...
confiando na fonte de referência que escolhi para conduzir minha existência, a palavra do Buddha conforme o cânone pali, tudo e todos me aparecem como capengas, em primeiro lugar. a partir daí as coisas pioram ou ficam menos ruins.
por outro lado, a abordagem da afirmação da vida, esta que nos é instintiva e, por consequência, cultural e religiosamente imposta é plenamente favorável ao surgimento de todo tipo de engodo uma vez que a própria postura afirmativa é o engodo máximo.
e eis um dos aspectos danosos da nossa incapacidade de nos enojar de nós próprios. sem a coragem de perceber e nos aprofundar em nossa própria doença, nos fazemos cegos para a doença do outro. se não nos convercermos da incompatibilidade óbvia entre a postura afirmativa da vida e o pensamento fundamental do Buddha vamos continuar a criticar, rir e apontar os problemas do borbulhar de novas novidades no mundo buddhista sem aprender o que, penso, isso tem a nos ensinar. muitas vezes inclusive, sendo bons e positivamente sábios buddhistas vítimas inconscientes do nosso amor pela vida e de algum dos seus profetas.
e podemos fazer algo com respeito aos novos iluminados e seus empolgados seguidores? não, claro que não. só podemos, como sempre, fazer algo a respeito de nós mesmos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

medo

em verdade temos medo.
pego mais esta emprestada do drummond para falar que nós, buddhistas, temos medos. e vou falar de um aqui, ou dois, se as idéias fluirem bem.
tenho percebido que nós, buddhistas, temos medo de parecer pessimistas. temos medo de que as pessoas saibam, porque até nós mesmos temos medo de saber, que o Buddha afirmou que a natureza da vida é o sofrimento.
bom, o Buddha não falava português, então Ele não usou a palavra 'sofrimento', mas sim 'dukkha', que pode ser traduzida por sofrimento ou outras palavras que estão mais ou menos ligadas a sofrimento, mas nunca a uma coisa boa ou desejável.
e sem dúvida que isso parece pessimismo.
me falaram que o papa paulo ll fez algumas observações neste sentido, de que o buddhismo seria pessimista. dado o respeito que temos pela instituição católica e seus representantes, isso só faz aumentar o nosso medo. eu, caso ele realmente tenha afirmado algo assim, concordo com o papa. do ponto de vista dele, e da maior parte do mundo, nós somos pessimistas. eles acreditam que a realidade foi obra de uma entidade plena de amor e bondade, com um propósito bem definido, logo, a vida, fundamentalmente, não pode ser associada ao sofrimento. bem simples assim. uma visão que, de fato, está de acordo com nosso natural apego à vida, se não for fruto deste.
temivelmente para eles e para nós, buddhistas, as coisas não são assim.
o Buddha ensina que a existência é fruto de um processo contínuo de condicionalidade, sem começo, sem propósito. despertou para este fato e declarou taxativamente, como registram as escrituras antigas, que 'todos os fenômenos condicionados são dukkha'. por mais que possamos nos retorcer e nos esconder nas sombras de nossas próprias visões, raciocínios e amedrontadas elucubrações e esperanças, não conseguimos escapar completamente da intensa luz que emana daquela sucinta frase do Buddha: todos os fenômenos condicionados são dukkha.
e, em verdade, temos medo.
justificável pelo nosso instinto, nossa cultura, nossas impurezas mentais. mas não aceitável.
um fator que penso ser responsável, e do qual parece que poucos suspeitam, é que nós não confiamos no Buddha. nós recitamos cânticos, fazemos prostrações, até meditamos e tomamos preceitos, mas tudo fica alí pelo neocórtex. porque se confiássemos no Buddha não sucumbiríamos ao medo. o Buddha não parou na constatação do problema, o Buddha não disse que a existência é dukkha e ponto final, Ele afirmou que o fim de dukkha é possível e definitivo e que há um caminho ao alcance de todos para este fim. há o Nibbana, o fim completo de todo sofrimento.
mas quem de nós está interessado no Nibbana? e aí pode estar um outro fator que nos mantem nas mantas do medo: o Nibbana, pelo tempo afora, foi-se tornando esquecido. tornou-se, convenientemente para nossa ignorância, um mito. quanto menos se fala do Nibbana, mais o nosso medo se sustenta. e, em verdade, acabamos a temer também o próprio Nibbana.
apesar de parecer que não, pois falamos do Nibbana. mas ele foi transformado para caber no nosso medo: virou um paraíso, um bem, um tesouro. e deixou de ser aquilo que o Buddha ensinou: o fim da exsitência condicionada, o fim de dukkha.
assim nosso medo se fortalece, pois não temos nada a oferecer quando nos acusam de pessimistas, só o Nibbana, só um mito, uma quimera idêntica a de todas as outras religiões, para depois da morte, depois do julgamento ou depois de qualquer outra coisa. e olha só o que o medo e a estupidez fazem com a gente: tememos e nos escondemos do rótulo de pessimistas ao mesmo tempo que nos assumimos praticantes da religião que é, em verdade, a mais otimista de todas! pois é a única (que eu conheço) que afirma o fim de dukkha em vida. pois o Nibbana, ensinado pelo Buddha, e esquecido por nós, não é uma promessa para além túmulo. é uma realidade experienciável aqui, nisto que compartilhamos como existência.
temos o mais otimista dos mestres, a mais otimista das religiões e nos mantemos tremulamente encalacrados. alimentando nossa ignorância e temendo a dos outros.
não é até engraçado?
em verdade somos engraçados.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

fantasma

ele é alguma coisa entre anti-herói e vilão e faz parte dos  thunderbolts, um controverso super grupo no universo marvel das hqs. o seu principal poder é ficar intangível e recentemente publicado no brasil pela panini, no número 11 da revista ''reinado sombrio" ele, após ajudar um membro de sua super equipe, fala:
"todo mundo fica melhor quando está intangível. quando nos damos conta de que nada é verdadeiramente real... bem, essa noção nos dá nova perspectiva".

sábado, 7 de março de 2009

O Remédio e o Dhamma


O Buddha disse que seus ensinamentos eram para a felicidade de muitos, para quem tinha pouca poeira nos olhos. E um epítome para o Buddha era "o supremo guia para aqueles aptos a serem guiados".
Para quem tem alguma experiência de participar de centros e comunidades Buddhistas, sejam reais ou virtuais, estas frases revelam toda a sua veracidade e sentido.
O Buddhismo, por ter as conotações de ser algo exótico, intelectual e até chique, acaba por atrair todo tipo de pessoa estranha! É cada figura que aparece! Inclusive algumas com problemas reais. E eu tenho cada vez mais a certeza de que para alguns, a doutrina do Buddha faria mais efeito, ou sentido, após ou, ao menos, em conjunto com uma ajuda profissional, psicológica ou psiquiátrica mesmo! É gente com muita poeira nos olhos e ainda não aptas para serem guiadas! E os poucos que ainda não fazem parte daqueles muitos!
Acho que essa orientação se dada por diretores ou professores dos centros onde chegam os "empoeirados" seria de imensa ajuda à pessoa orientada sem falar no benefício que traria à permanência do Buddhadhamma no mundo.
(No orkut não tem solução!)
E o imbróglio pior ainda nem é esse! O problema mesmo é quando a poeira parece estar nos olhos daqueles que deveriam orientar...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Começando


O Buddhismo não é uma coisa exótica. Ou, certamente, não deveria ser visto desta forma... É claro que há a questão cultural. Uma religião nascida e desenvolvida na Ásia por quase dois mil e seiscentos anos tem todo o clima de exotismo (para não asiáticos!) característico. Mas se formos buscar as mais antigas fontes Buddhistas existentes, veremos que não há nada de exótico no que o Buddha ensinou. O Buddha é extremamente claro, pragmático naquilo que ensina. Observe a sua mente, seu corpo, suas sensações e seus pensamentos e, de um conhecimento profundo que deverá surgir destas contemplações, realizar-se-á o cessar de todo sofrimento. Este é um resumo possível e bem fiel do que o Buddha ensinou. Tudo o que possa evocar exotismo vem depois, com o tempo e a cultura dos muitos povos que assumiram o método do Buddha como religião. E, muitas vezes, são exatamente estes aspectos que cativam a atenção das pessoas "daqui". Será por causa da nossa cultura da embalagem que despreza o conteúdo?

Speech by ReadSpeaker