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domingo, 5 de setembro de 2010

voto, respiração e Machado

"70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê."
É um trecho da crônica 'Analfabetismo', de Machado de Assis, publicada em 15 de agosto de 1876.
Para um estudante/praticante (ao menos até que me provem o contrário) de anapanasati  como eu, este trecho tem um significado profundo. Na minha cabeça, pensando nele, aparece tudo interligado: o conceito que temos de liberdade, a sabedoria que se desenvolve na experienciação do processo da respiração, a ignorância que sustenta nosso modus operandi ordinário... Tudo aparece muito claramente conectado.
Tivéssemos algum conhecimento experiencial a respeito da lei de condicionalidade vendo com mais clareza a natureza do emaranhado em que estamos... Como seria ser/estar aqui e tudo o que faz parte deste processo? O votar, inclusive? Quanto a busca pela compreensão do mundo tendo como base a respiração, que revela uma imagem da condicionalidade, impermanência e imperfeição da vida pode nos ajudar neste aspecto do viver social num regime democrático que são as eleições?
Em mim, um ceticismo que julgo bom é um principal benefício.
Não espero nada além do que eu mesmo posso oferecer ao mundo e sei que oferecer o melhor ao mundo exige muito de mim. Não é simples fazer o que é certo porque tudo se sustenta sobre o solo corrompido e corruptivo da ilusão. Daquilo que nos chega da vida, ficamos com o que nos agrada. E o que nos agrada, quase sempre, é o que perpetua o engôdo. Retornamos ao mundo, via nossas visões, crenças e ações, aquilo que nos mantem na prisão que é a nossa ideia de liberdade. E assim, nos agarramos todos. Uns nos outros na beira do precipício.
A liberdade verdadeira começa pelo reconhecimento do quanto (ou do se) estamos presos. Fazer escolhas não significa muito se não tentamos compreender o que condiciona as escolhas que fazemos. Esperar daquele que escolho algo que não seja coerente com aquilo que eu mesmo sei que devo fazer pode ser um indicativo da natureza de tais condicionantes.
A primeira escolha deve ser sempre com respeito a minha próxima atitude. Essa é que vai legitimar todas as outras. E depende de uma compreensão que pode ser realizada, de forma ímpar, pela experienciação do por que e o quê respiramos (eu acrescento o como).
Pode não ter sido o que o Machado quis dizer. Mas acho que dá para dizer isso a partir do que entendi.
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