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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cinco agregados

Os nomes são forminhas nas quais congelamos os fenômenos no tempo e no espaço. 
Como fazemos com os Cinco Agregados. 
O Buddha nos diz que somos meramente um conjunto de cinco: corpo, sensações/sentimentos, formações mentais/pensamentos, percepções e consciência. Não é forte o entendimento de que então, oras, podemos ser divididos nessas cinco 'coisas'? Nos imaginamos como um constructo de onde podem ser tirados, um a um, estes componentes.
Mas acho que não é bem assim.
A mente agarra qualquer fenômeno do qual se conscientize. E nomeia, congela e separa: isto, aquilo, aquele, aquela lá... Assim é como faz com os agregados que o Buddha listou. A qualquer cousa que surja para a mente e que possamos identificar como 'meu/eu/meu eu', eis um agregado embalado em upadana. Por exemplo: me 'identifíxo' com(o) meu corpo, meu sentimento/sensação, meus pensamentos, minha percepção, minha consciência. A cada vez que um (ou mais) surge, congelamos e compomos um eu com base nisso. E se há tal objeto precisa haver um eu possuidor/observador. É assim. Eis eu.
Eu acho que o que o Buddha quis dizer foi que estes fenômenos transitórios e compostos, como quase todo o resto, que ele chamou agregados, são por onde nos vemos como seres. Não é que sejam pedaços do ser. São sim eventos que a mente pontua e discerne no processo de existir. Cenas da peça que encenamos e que chamamos minha vida.
O Buddha declara cinco agregados. Eu não consigo ver mais nenhum. Se alguém encontrar, tudo bem. Certamente será mais um objeto "eusificado/eusificante".
Então, o caminho do despertar não é o de separar estes agregados mais do que o de perceber como a mente interpreta estas diversas formas de engendramento do eu, do mundo. É perceber como se dá a construção de um personagem com base nestes fenômenos distintos e identificáveis no contínuo do existir. É deixar a mente fazer o trabalho dela, que é conhecer. Este é o objetivo da meditação. Porque existe a ignorância que impede a mente de experienciar os agregados tal como são. Porque encapsulamos as coisas, congelamos e separamos. É um ciclo, mesmo. Repetitivo. Não é só o meu texto que é tosco. É avijja que é assim! Seguimos congelando repetidamente e nos mantendo cegos para o fato de que tudo é um ir vertiginosamente dinâmico e sem identifixidade.
E por conta disso, talvez a pergunta surja: mas quem medita?
Estritamente falando, ninguém. Mas não gosto de acabar com declarações pseudoprofundas e repetitivas.
Não há um que medite.
Começa lá atrás, com uma tomada de consciência de que algo não está bem. Achamos que há um eu que sente, tudo bem. Aí conhecemos o ensinamento do Desperto, do Buddha. Começamos a meditar. Achamos que "eu" meditamos. Tudo bem. Estudamos, entre outras coisas, os Cinco Agregados. Achamos que há um eu composto pelos Cinco. Tudo bem. Se continuamos a meditar e estudar, poderemos experienciar, vez ou outra e definitivamente todo o descrito até aqui livre de uma falsa terceira pessoa, que para nós sempre foi primeira: o eu. E revelarse-a, então, só o acontecendo: inspira, expira; tomada de consciência; inspira, expira. Sem primeira pessoa, nem segunda, nem terceira. A experiência acontecendo e absolutamente impossível de ser capturada e posta na forminha.
Tudo bem.
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