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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

eu acreditara

chegara eu feliz ao trabalho (permitam-me a licença poética), cumprimentando um e outro vou até maria que estava a ouvir josé: quando mais me aproximo vejo que josé estava dando um belo de um esculacho em maria. 
rauf, rauf, auf, auf, rarrrgh, auf...
dou meia volta e, de longe, volto depois que josé se vai. 
o que houve, pergunto à maria que chora e diz: cain, cain, cain, cain, nnnn, cain...
calma maria, calma...
lhe ofereço um copo d'água.
se acalma, depois a gente conversa...
passa um tempo e resolvo ir até a sala do josé.
josé, boa tarde, o que houve lá com a maria?
ah, blá, blá, blá... resumindo: josé disse que maria havia sido deselegante, mal educada, feito escândalo por coisa insignificante na frente de pessoa estranha dentro de sua sala. sim, sim, entendi o josé. não era a primeira pessoa que afirmava tais coisas de maria. até achei bom que ele falasse diretamente com ela. fazer o que? paciência tem limites.
e mais tempo, maria melhor, e comentários, e trabalhamos.
e, mais tempo passado, berenice me diz que maria entrara a pouco na sala de josé a pedir desculpas pelo comportamento. meu coraçãozinho palpita. fico feliz. ora, digo que preciso cumprimentar maria pela bela atitude. indago berenice se de fato é fato e ela me garante que sim, que viu, que estava presente.
que ótimo, penso eu. nem tudo está perdido, uma bela atitude merece reconhecimento, que legal. e sigo eu, saltitante e crédulo ao encontro de maria assim que a oportunidade surge. digo a maria que bela atitude, muito bom maria, fico feliz de saber que você tomou a iniciativa de se desculpar, muito bem, é muito melhor assim. no que maria, séria, circunspecta e serena me diz que ela é deste jeito, se estou errada eu reconheço, é como eu sou, e não há nada demais em pedir desculpas, oras.
meus olhos marejam. muito bem maria, que belo, penso eu, e o dia segue.
então eu conversava com venceslau e o assunto da maria chegou. mas eu achei uma atitude legal a de maria, hein, venceslau? ir lá pedir desculpas depois do ocorrido. venceslau dá um sorrizinho. diz que depois da lavada que ela levou do sr. zeus tinha mais é que ir rapidinho mesmo. com estranhamento eu digo, como assim? ué,  diz ele, alguém informou, e devem vir já informando ao sr. zeus sobre maria há algum tempo, que a chamou e soltou raios e trovões sobre ela blá, blá, blá... saiu de lá com olhos esbugalhados e correu para pedir desculpas.
bom, como eu sou trouxa.
maria só teve medo. medo não é nobreza. e ela sabe o que é nobreza ou não teria simulado tal atitude quando fui cumprimentá-la.
maria sabe bem o que é nobreza. porque disso ela fala. critica a falta de ética dos políticos, é politizada, a maria. tem causas, inclusive, pelas quais versa e age. é engajada a maria. fala bem a maria sobre muitas coisas certas.
mas a maria errou do início ao fim desta história e eu voltei à minha condição básica de desgosto.
sabbe sankhara dukkha. eu lembro.
lembro dessa e de ajahn chah que diz que somos todos bolotas de deterioração. lembro que somos massas de conflito gerados e girando em torno e a proteger o produto de uma percepção distorcida. agregados em um revolver ignorante entre intervalos de esquecimento. pobres diabos. lembro que somos todos pobres diabos. é assim.
ainda me impressiono, apesar de tudo, me esqueço e volto a acreditar que isso um dia vai dar certo. não vai. vai ser menos ruim, faço o possível para que seja, inclusive. mas é só. só menos ruim. sem empolgação até o fim completo.
e dou risada.
e sigo feliz, sem licença poética desta vez.

e qualquer semelhança com a realidade é porque a realidade é assim mesmo. estas coisas acontecem.


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