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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

rolezinho pelo Buddhadhamma

vira e mexe me deparo com alguma afirmação sobre um buddhismo ocidental em construção, e mesmo buddhismo moderno. acho isso uma grande bobagem, por um certo ângulo. 
o buddhismo é buddhismo, foi o que o Buddha ensinou e somos os mesmos da índia dos tempos do Buddha. os fenômenos continuam sendo anicca, dukkha e anatta.
por outro lado não é uma bobagem porque diz respeito às adaptações culturais que fizeram surgir inúmeros buddhismos pelo tempo e espaço. e aí eu simplesmente não me importo.
agora, há um aspecto cultural que talvez seja relevante discutir: a questão da autoridade, da centralização. esta coisa que está sendo diluída pela sociedade em rede. 
autoridades buddhistas, vamos falar especificamente de buddhismo porque sobre outras autoridades há farto material a ser estudado pelo bom leitor que gosta de refletir (a imprensa, os governos, até os shopping centers!!). então, autoridades buddhistas, sejam monásticas ou não-monásticas, num tempo que não volta mais publicavam seus textos e o papel ia para a mão de seus admiradores e alunos, cada autoridade publicava para a sua escola e seguia tendo retroalimentada a sua autoridade. se interessavam pelos textos aqueles que se interessavam e ponto porque ninguém gasta dinheiro com o que não lhe interessa. pelo menos os que tem pouco, como eu. os curiosos e/ou mal informados iam seguindo curiosos e semi-informados.
hoje mudou.
uma autoridade publica um texto na rede, e como de graça até injeção na testa, todo mundo lê. aí começa a encrenca, porque o questionamento surge, o diálogo se insere e a autoridade é posta na mesa. no meio buddhista, apesar da ausência de deus, esta questão ainda parece não estar sendo digerida. bom, na verdade esta questão é indigesta no geral, mas talvez, no buddhismo venha a ser um pouco pior por conta do estereótipo do dono da mágica, do sábio que fica no alto da montanha esperando que surjam seres aptos a beber de seu precioso néctar. 
um aspecto divertido disso, e mesmo um pouco paradoxal, é que o próprio Buddha estimulava o diálogo e o questionamento, me parece que há uma regra no vinaya, a disciplina monástica buddhista, que determina ao monge que este questione aparentes equívocos cometidos pelo seu  mestre, daí que, sendo isso verdade, o buddhismo dá mostras da sua atualidade (vocês três que leem este blog, pesquisem aí para nós, valeu?!) e, voltando lá  em cima onde eu comecei, modernizações podem não ser necessárias.
mas voltemos a onde estamos. 
então, parece que professores buddhistas precisam refletir sobre isso: uma coisa é uma situação onde a pessoa se põe sob treinamento e orientação prática. se eu estou meditando sob direção de um professor que me diz: isso é ISSO e faça ISTO. seria uma estupidez da minha parte começar com "teacher, mas isso não poderia ser isso... ou talvez até aquilo...?" e perder nosso, meu e dele, precioso tempo. outra coisa é publicar pensamentos, ideias e interpretações e esperar que isto seja saudado como fina sabedoria por todo o mundo.
não é mais assim. e isto implica que antes de tornarmos públicas as nossas ideias é preciso que, ou saibamos que nossas ideias tem pouca importância e tudo bem se alguém resolver se dignar a gastar seu tempo nos provando como somos tapados, como é o meu caso, ou precisamos estar certos de sermos plenamente capazes de defender  o dito ou escrito no caso de alguém nos honrar com importância.
estamos surgindo como um grande composto pensante, conectados, interdependentes, condicionados, sem centro. exatamente como ensinou o Buddha.
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