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sábado, 26 de setembro de 2015

corpo esquecido

Como se fosse um saco cheio de vários tipos de grãos e pela sua abertura olhássemos e identificássemos cada um dos tipos contidos nele, assim nos pomos a dissecar o corpo, discriminando suas partes e órgãos. Esta foi uma das formas que o Buddha nos ensinou, no satipaṭṭhāna sutta, para instigar o questionamento de nossa identificação com nossos corpos. Uma outra é a contemplação do processo de desintegração de cadáveres.
Quando o Buddha dizia que seu ensino ia contra a corrente do mundo, muitos de então talvez não imaginassem como isso soaria dois mil e quinhentos anos depois.
Hoje, com todos os recursos que há para esculpirmos nossos corpos, sermos nossos corpos é inquestionável.

Mas voltemos ao ensinamento.
Enquanto confiantes no Buddha, praticamos examinar aquilo de que somos compostos, ou os entes materiais com os quais nos identificamos, trazendo para a luz da consciência a natureza medíocre da matéria que gostamos de esquecer: átomos e moléculas, que são só o que tem que ser átomos e moléculas.

Graças ao atual conhecimento sem igual de átomos e moléculas temos inúmeros recursos para moldar nossos corpos. Quase como os oleiros moldavam a argila em belos potes nos tempos do Buddha.

Podemos sentir dor quando quebra-se um pote do qual gostamos, ao qual estamos apegados, no qual projetamos sentimentos e sensações. Felizmente é mais fácil optar por estabelecer ou não uma relação assim com potes.
Com o corpo há a ignorância fundamental e o mundo que gira por ela a nossa volta nos mantendo a ser corpos muito menos maleáveis e dóceis que argila. Muito mais decadentes.
Nos falta opção?
Somos consciência e matéria. Seja lá o que forem tais coisas, é possível, a partir de nossa experiência, afirmar este mínimo da nossa existência. 
O Buddha nos deixou métodos, como os citados acima, para confrontar a matéria de forma direta e franca dentro de nossa experiência do existir e descobrir se há uma opção para existirmos menos sujeitos à sua mediocridade. De várias formas inclinamos nosso ser ao escrutínio deste ente com que tão arraigadamente nos identificamos até sentir profundamente se é, ou não, dolorosa e frustrante esta identificação.
Trazer à consciência a natureza nua de nosso corpo, contra tudo o que há para nos fazer esquecer, talvez seja o  que exerça, dentro do preciso e vasto ensinamento do Buddha, o papel de um poderoso motor a nos impulsionar contra a correnteza.

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