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Buscando...?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quase Elegia

Caixão devidamente parafusado e sepultado, nos nossos veículos tomamos a estrada sentido dukkha/sukkha e seguimos viagem.
Antes disso, o bate-papo que gira sempre em torno de vida e morte. Como precisamos viver bem porque a vida é curta e não somos nada nesse mundo, olha lá: eis oJustificar nosso futuro!...
E foi assim no velório de minha muito querida tia... Coroona carioca cheia de marra! Um coração em forma de pessoa! E o coração enorme, desgraçadamente não mais concorde em permanecer só metáfora, foi um dos fatores que nos levou até ali na semana passada.
Siga em paz e que as suas boas ações frutifiquem!
E o que seria aquele viver bem?
A vida infecta o mundo.
Entra e sai pelos nossos orifícios, está acima das nossas cabeças, sobre a nossa pele, sob nossos pés e dentro de nós! E, segundo o Buddha ensinou, além da nossa atmosfera, universo afora, e da nossa percepção convencional, há vida aos borbotões! Todas no mesmo rumo de fugir do sofrimento e buscar a felicidade. Numa absoluta confusão para a maioria. Confusão que transparece nas conversas de velório onde sempre relacionamos essa busca com obter, curtir, aproveitar, deleitar... Eis a nossa noção do valor da vida!
Se pudéssemos enxergar o movimento de nascimento e morte que existe neste nosso condicionado modo de viver!
Talvez seja a morte mais importante que o Buddha nos tenha ensinado a contemplar: a que acontece a todo momento. A cada vez que temos saciado um anseio, a cada vez que experimentamos uma sensação, a cada vez que nascemos da ignorância da concepção de um ego possuidor nós, em seguida, morremos.
A visão clara e direta desta morte para a qual somos tão cegos me parece ser o que nos tirará da confusão de antes, durante e de depois dos velórios.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Ponto de Mutação

A partir da resposta que nos dermos para a pergunta ''por que eu pratico?'' precisamos observar constantemente se o nosso modo de vida é coerente com ela.
O que normalmente nos ocorre é que ao fecharmos o livro, levantarmos da almofada ou deixarmos a reunião (e muitas vezes nem isso é preciso!) a vida toma conta da mente.
Estamos habituados à prisão! Nossa familiaridade com o ciclo repetitivo do samsara é de longa data! É natural e espontâneo que continuemos a nascer para dukkha! Por isso precisamos 'forçar a barra' se temos um entendimento do dhamma do Buddha. Independente do que almejemos alcançar, desde que seja uma meta condizente com a prática do dhamma, eu creio que ela não virá ''naturalmente''. Não é relaxando e deixando acontecer que vamos 'chegar lá'.
A observação constante da mente ensinada pelo Buddha, nos leva a uma percepção cada vez mais apurada dos motivos e movimentos internos que nos mantem nos trilhos da montanha-russa do mundo. E essa observação envolve crítica, reflexão, avaliação entre outras posturas ativas ao invés de mera aceitação e espera. Conhecimento e visão são as palavras-chave. E a cada vez que estes se aprofundam, escolhas precisam ser feitas. Ou o pouco, ou muito, que conseguimos acaba esquecido como tantas outras coisas que acumulamos nos baús de nossas posses.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Criança

Adulto: "Bom dia! Dormiu bem?"
Criança: "Ãhã! Tive uns sonhos muito malucos! Umas maluquices! De sonho, sabe?"
A: "Ãhã! Mas foi pesadelo, ou não?"
C: "Não. Só maluquices mesmo!"
A: "Então tá bom. Ruim é quando a gente tem pesadelo e não consegue acordar!"
C: "É. Mas eu consigo acordar quando eu quero..."
A: "Ah, é!? E como é que você faz?"
C: "Eu pulo que nem um sapo, daí eu acordo!"
A: "Como assim!? No sonho?..."
C: "Claro, né!? Se eu tô tendo um pesadelo, eu abaixo e pulo que nem um sapo. Daí eu acordo! Mas tem vezes que eu não lembro..."
A: "E como você inventou isso?"
C: "Não sei!... Eu fiz uma vez e pronto..."
A: "Mas você sabe que está sonhando!?"
C: "É. Às vezes. É... Muitas vezes!"
A: "Que legal!! Tenta voar! Uma vez eu soube que estava sonhando e tentei voar. Não deu muito certo... Eu tentava e tentava mas só conseguia uns pulões assim..."
C: "É assim mesmo! Quanto mais força você faz, mais difícil fica!!"
A: " :D "

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