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Buscando...?

sábado, 4 de julho de 2009

O Baleiro e o Dhamma

O que o buddhismo oferece não é algo para ser adquirido.
A paz buddhista pode ser definida como aquilo que 'sobra' após ter-se eliminado o ruido.
Isso vai diretamente contra tudo o que conhecemos da vida e, talvez, seja um dos motivos pelos quais, em alguns momentos, possa existir uma sensação de cansaço, desânimo e até decepção com a convivência em grupos de dhamma.
Presenciar atritos, intrigas, orgulhos, vaidades pode ser algo bastante chato para alguém que idealize um ambiente de pessoas comprometidas com a busca pela paz... Mas esses comportamentos, nada mais são, em grande parte na minha opinião, resultantes dessa postura de querer acrescentar a paz a nossas vidas sem reconhecer que o que realmente nos impede de experimentar a paz buddhista é o próprio desejo de acréscimo! Queremos permanecer como somos e ter ainda mais!
Meu pai conta que quando era criança tomou muitos "cascudos" dos irmãos mais velhos quando ia ao "butiquim" comprar doces. É que ele ia lá, na maior alegria, mas abria o bocão na hora de entregar o dinheiro! Queria comer o doce e queria, também, ficar com o dinheiro! Aí, já viu! Sendo o mais novo de treze, toma tapas na orelha! Diz que não adiantava explicarem para ele... Ele simplesmente queria os dois!
É mais ou menos como fazemos. Queremos paz, felicidade, nibbana (nibbana eu não sei se todos queremos!) mas sem abrir mão daquilo que o Buddha ensina ser a causa principal para não experimentarmos essas coisas: o nosso ego. Que se manifesta, principalmente, por meio de nossos gostos, desgostos, opiniões, vaidades...
O Buddha explica e explica e explica... Mas nós não entendemos!
Vamos continuar tomando tapas na orelha!

sábado, 27 de junho de 2009

Um Pouco Depois da Sessão da Tarde...

 Tenho, na minha página do Google, um alerta sobre buddhismo que me permite acompanhar o que se publica na rede sobre o assunto. Creio que uma boa parte, dada a onisciência deste deus...
Um, que eu recebi há pouco, fala sobre o enredo de uma futura novela da globo que vai ter um de seus personagens sendo, ao que parece, buddhista...
Confira aqui.
Num momento, o ator Carmo Dalla Vecchia, que fará tal personagem, diz o seguinte:

"Farei na trama o Alcino, o melhor amigo do Gustavo. Vou descobrir uma doença fatal na cabeça e por conta do budismo, não vou me abater e ainda vou alertar o Gustavo para que ele possa melhorar a vida dele, buscando sua real felicidade."


Só nos resta torcer para que o autor da novela faça um bom trabalho no sentido de apresentar, pelo menos, informações corretas sobre o buddhismo.
Vem aí mais um campeão de audiência.
Esperamos que não seja também uma fonte de asneiras, preconceitos e desinformação.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sessão da Tarde

Ter escrito algo sobre repetição num texto atrás me lembrou de uma coisa...
Há um tempo, quase meses eu acho, estava com amigos conversando e falamos sobre TV, DVD e por aí. Numa certa altura, alguém comentou sobre o hábito de assistir várias vezes um mesmo filme. Várias mesmo! Havia, na ocasião, dois na mesa que declararam o hábito: um próprio, o outro, do irmão. Eu achei curioso. Me pareceu meio absurdo e acreditei que fosse algo incomum. O irmão, por exemplo, segundo o meu amigo, assiste a trilogia Matrix! E eu não errei o tempo verbal! Ele assiste a trilogia Matrix, entre outros títulos, quase que regularmente!
Eu fiquei impressionado com aquilo. Me impressiono fácil com as coisas, pode ser...
Num outro dia, com alguns mesmos amigos e mais outros, novamente o assunto surgiu. E eu fiquei mais espantado porque o hábito se revelou não tão incomum assim. Na mesma mesa já surgiram quatro, pelo que me lembro, que o tinham! Aí eu comecei, como desagradavelmente para alguns eu às vezes faço, a questionar para querer entender aquele fenômeno: "mas como assim?", "quantas vezes?" e tal até que cheguei no "por quê" ou no "qual é a graça". Foi quando entre as não-respostas e desconversas um dos caras me disse: "Depois da quarta vez, você começa a perceber os erros nos filmes..." Essa era uma das 'graças' para ele.
Essa eu achei interessante.
Tendo assistido, até aquela data "O Gladiador" nove vezes eu acho (bom, por três eu já o condenaria!), ele me garantiu que há uma cena em que passa um avião ao fundo.
Imagine só: você lá, imerso na história e vê o aviãozinho que passa lentamente a revelar a ilusão!
Divertido!
Não foi difícil pensar a coisa em termos de prática do Dhamma.
Encontrar aquela mesma graça me parece ser um nosso desafio!
Veja, alguns assistem várias vezes as mesmas histórias e se empolgam, curtem e se deleitam com aquilo. Um outro, não sei se único mas o que declarou, descobriu um motivo "superior".
Na nossa vida, as repetições são objeto de observação. Descobrirmos os "erros" que revelam o "sonho" não seria mais divertido do que seguirmos continuamente empolgados numa eterna Sessão da Tarde?

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