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Buscando...?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

responder não ofende

O que é o buddhismo, afinal?
É o nome dado pelo Ocidente ao que foi registrado como sendo as palavras daquele conhecido como o Buddha. A palavra Buddha significa desperto, é um título, e foi dado a um príncipe hindu também chamado Sakyamuni, ou "sábio dos Sakyas", clã ao qual pertencia, após Ele ter proclamado o Seu Despertar. O Despertar do estado de existir ignorando a realidade.
O príncipe parece ter sido de mentalidade inquieta. Mesmo em sua juventude, sem ter sido tocado diretamente por ele, incomodou-se com o sofrimento da existência e num dado momento decidiu que mais importante que uma vida convencional era encontrar a solução para aquele incômodo. Depois de alguns anos de busca acreditou ter alcançado o fim que buscava, o fim do sofrimento, que foi a a sua profunda compreensão intuitiva da realidade, tornou-se o Desperto e passou a compartilhar seu despertar com todos que estivessem dispostos a ouvir. A Índia daquela época era fértil de gente disposta.
Pelos próximos quarenta anos ele seguiu ensinando o Seu Caminho que era cuidadosamente aprendido e praticado pelos muitos discípulos que conquistava. Algum tempo depois de Sua morte seus ensinamentos foram escritos e chegaram até nossa época e esta é a fonte daquilo que o Ocidente veio a chamar de buddhismo.
O que ficou registrado das palavras do Buddha, em resumo, foi que o sofrimento existe e deve ser meticulosamente investigado e conhecido; o sofrimento tem uma causa que deve ser abandonada; o sofrimento tem um fim, que deve ser realizado; há um método, um Caminho, uma disciplina que promove este fim, e deve ser praticada. Estas quatro afirmações são as Quatro Nobres Verdades. Nobres por que penetrá-las torna nobre o indivíduo que o faz. A visão de realidade realizada e proclamada pelo Buddha, aquela para a qual Ele despertou e que é o fundamento da funcionalidade do Seu método é a Condicionalidade. Esta visão postula que existir é um processo causalmente condicionado até os mais sutis aspectos. Assim, o despertar, o mesmo que o fim do sofrimento, é o fruto da interrelação de uma estabilidade de percepção que permita o aprofundamento da consciência desta realidade e da ação em conformidade com ela.
A pergunta feita acima surge de alguma dificuldade que existe em se classificar a disciplina do Buddha em alguma categoria do conhecimento humano. Comumente as pessoas dizem ora que o buddhismo é uma filosofia, outras que é uma religião, outras que é um modo de vida e, mais recentemente, tem surgido a idéia de que é uma ciência da mente!
Nenhuma destas classificações me parece errada mas todas, se tomadas isoladamente, são insuficientes. O Buddhismo é tudo isto e mais alguma coisa que surgir, talvez. E eu creio ser impróprio alguém se afirmar buddhista se não há cada uma destas categorias implicadas na concepção daquele que se afirma.
Quem sabe uma outra hora eu exponha o porquê de meu entendimento ser desta forma. Por enquanto acho que respondi a pergunta sem ofender ninguém.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

vídeo e mensagens



Após assistirem ao vídeo, dois amigos de dhamma trocam mensagens e chegam mais ou menos no que segue...

"onde estão as pessoas que faleceram? existem? estão bem? e as que
sofrem imenso e sem qualquer possibilidade de mudança? para que serve
todo esse sofrimento?"

"há respostas, e várias, para estas questões! um problema é que todas elas dependem de crença. nada mais nos é exigido a não ser que nos calemos e aceitemos a resposta dada.'
concordo com o que você assinala sobre o vazio que nos toma o coração, mas não que seja a análise do monge a sua causa. eu acho que o vazio se deve, num nível mais profundo, a nossa prória forma precária de experienciar a existência.'
o que o buddhismo nos propõe, me parece, é que enquanto abordarmos tais questões profundas com uma mente que opera enjaulada num nível tão superficial não há chance de sairmo-nos bem! e nos mantemos presas da crença, da frágil crença.'
o monge faz uma introdução (o buddhismo em 15 minutos!!!) brevíssima, mas espetacular, na minha opinião. um resumo de algo que precisamos compreender se quisermos caminhar na senda do Buddha. tal compreensão se dá em primeira mão, conhecermos a nós, nesta forma, é conhecermos o 'todo', o mundo. e este conhecimento estendemos ao outro. acho que só a partir daí começaremos a ter respostas satisfatórias para estas suas questões que não dependam de um calar-se e aceitar...'
grandíssimo abraço!"

A fonte do vídeo é o seguinte site:
http://an-news.blogspot.com/2010/12/psicologia-budista.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+an-news+%28AN-News%29&utm_content=Google+International

quarta-feira, 4 de maio de 2011

você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda...

Nós envelhecemos e morremos. Mas a ordem é que permaneçamos jovens e imortais até que, enfim, morramos. O mundo gira para os jovens, lisos e belos, e é o que mantém o mundo a girar. Custe o que custar.
E custa.
Pois no pacote juventude vem fartas porções de irresponsabilidade, precipitação, impulsividade, estupidez, ignorância, futilidade, rebeldia, tolice, vaidade, ansiedade, obsessão e uma penca de outras coisas ruins pregadas a tudo de bom com que o vigor juvenil nos investe.
Até nas religiões está se valorizando os joviais, festivos e energéticos. Queremos mestres espirituais também lisos e belos, cerimônias animadas, queremos pular, cantar e dançar. Uma balada espiritual.
Nossos filhos tem poucos pais mas muitos amigos e quase nenhuma barreira para sua infantilidade ou cheia hormonal adolescente. Seguem pueris, bebendo, fumando, chingando, batendo, matando, se revoltando e procriando. Procriando coleguinhas com coleguinhas.
Nos enxergamos jovens enquanto consumimos o planeta que temos literalmente em nossas mãos graças aos incontáveis brinquedos dos sonhos com os quais podemos nos entreter agora.
É do que esta nossa vida precisa. Que nos mantenhamos encantados na juventude, que encubramos a dor,  sufoquemos a tristeza, não pensemos no fim recorrendo a tudo que atabalhoadamente nos é oferecido para possuir e depositar sobre a verdade dolorosa, mais por ser ignorada que devidamente conhecida, do tempo que passa e de tudo que cessa.
Da maré de citações e referências que sempre banha este blog, lembro da "A Queda" do Lobão, em especial a última estrofe:

Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda

Percebo agora que começo a me repetir. É a idade.

Speech by ReadSpeaker