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sábado, 5 de dezembro de 2009

hoje eu acho engraçado II

Eu não sei nadar.
Mas sempre fui meio abusado.
Certa vez, quando moleque, estava numa praia de mar agitado, ondas e areia revolta. Fui indo, indo, indo até que a água bateu no pescoço. Aí vi que precisava voltar.
Mas a coisa não seria fácil.
Naquela altura, as puxadas das ondas eram muito fortes, as ondas muito frequentes, na areia surgiam muitos buracos. Era por o pé e aquilo logo afundava e água pelo nariz, boca e aquele desespero! Se tentasse dar algumas braçadas iria piorar por que as ondas me puxariam mais rápido. Tinha que seguir pisando aquele chão movediço. Era uma sensação terrível aquela de buscar firmeza, sustentação e sentir o chão se desfazendo sob os pés! Era um "ah! agora vai!... não foi!!!!" contínuo! O instinto desesperado pela sobrevivência. Eu achei que iria morrer, mesmo.
Sinceramente, não sei quanto durou... Segundos, minutos... Sei que consegui sair da água ofegante, com a barriga cheia, nariz e olhos congestionados.
Mas é uma sensação que ilustra bem a percepção que se tem do mundo quando se olha bem de perto com alguma atenção e vigilância (satisanpajanna). A mente procura assentar aquela identidade concebida do eu em alguma base, que sempre se desfaz sob ela. Um pensamento, uma sensação, uma idéia... Vistos bem de perto se desfazem e o EU pisa com ansiedade à frente, em mais um passo, na sede de existir, numa caminhada sem fim e com água sempre no pescoço.
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