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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

mensagem cifrada

No meu trabalho houve um concurso de textos mensagem-de-fim-de-ano.
Enviei o meu.
Não ganhei mas gostei do que escrevi. Até que não ficou ruim visto que foi composto dentro das regras de formatação exigidas. Achei uma razoável tentativa de falar do dhamma sem usar a palavra dhamma!

Se prendemos a respiração por alguns momentos, ocorre um desconforto. Tanto maior quanto for o tempo que tentarmos. Tentar parar os pensamentos também é frustrante. Tanto maior quanto a determinação que aplicarmos para fazê-lo.
Quando chega o fim de um ano é o início de outro. E celebramos! Festejamos! A mudança, o novo. Mas será que é realmente da mudança que gostamos? Ou será que a nossa verdadeira inspiração é a esperança de que aquilo que nos agrada continue da forma que está e que só mude o que queiramos? É como tentar segurar a respiração ou parar o pensamento.
A essência do existir é a transformação. Sem ela não há dia e noite, inspirar e expirar, sono e balada... Todos sabemos. Porém, parece que tentamos o tempo todo deter o movimento, acreditamos ter o poder de fazer com que, sempre, tudo seja da forma que queremos. E isso é tão frustrante quanto maior for o nosso empenho.
Quer dizer então que deveríamos desistir de tudo, sentar na calçada e ficar vendo a vida passar? Não planejar? Não almejar...? Não! A passividade inerte não é a proposta! Na verdade, uma coisa bem pouca, uma simples mudança de foco é, tenho a impressão, do que precisamos.
Não podermos controlar tudo não significa não podermos ser felizes! E, no final das contas, todos os nossos atos, desde o mero respirar, são com a motivação de sermos felizes. Talvez devêssemos valorizar mais o aprendizado e esquecer um pouco o desejo, o anseio, o domínio. O que precisamos é tentar abrir mão da aflição pelo controle, ou da ilusão do controle absoluto, e aprimorarmos a capacidade de perceber e aprender com a natureza, com a realidade, com a mudança. Aprender com as coisas conforme elas são ao invés da luta vã para fazer delas o que nunca serão. Abandonemos a ilusão de tornar a vida nossa prisioneira.
Neste ano que se inicia, poderíamos, antes de enumerar nossos desejos, pensar no como e no que precisamos aprender para realmente apreciar e, se possível, aproveitar todas as mudanças que ocorrerão, queiramos ou não. Talvez devêssemos almejar estar plenamente abertos para as possibilidades, atentos para as tendências e tranquilos para as transformações. Não tentemos aprisionar o novo ano nas gaiolas dos nossos desejos míopes. Vamos contemplar o surgir do ano novo. E nascermos junto com ele. Sensíveis para as oportunidades que, invariavelmente, surgem. Enxergar-nos como parte deste fluir incessante que é a vida. Mutável, impermanente, impossível de deter. Nova a cada segundo. No sentido mais profundo: simples mudança.
Um feliz ano novo para nós. Façamos-nos aptos a vivenciar a mudança. A cada momento!
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