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terça-feira, 26 de março de 2013

deus me livre

"em vez de buscar deus - objetivo dos brâmanes -, Gautama sugeriu voltarmos a atenção justamente para o que, de Deus, está mais distante: o sofrimento e a angústia da vida na terra" está na página 202 do livro confissões de um ateu budista (stephen batchelor - editora pensamento).

a ciência foi destruindo nossas ilusões: éramos seres especiais sob o céu, ocupando o centro do universo; fomos perdendo a majestade. no momento somos animais entre animais, adaptados andando numa bolinha de água e rocha na perifieria de uma galáxia que é como poeira num espaço vasto e desconhecido.
o Buddha fez o mesmo com a religião já há mais de dois mil e quinhentos anos.
religiosamente nos cremos divinos, desde os brâmanes e antes e até hoje, precisamos dessa divindade, temos a fé de que somos obra ou imagem ou manifestação de algo maior, mais belo, mais mágico e com um propósito sublime.
o Buddha, me parece, deixou claro que não. somos só isso mesmo que se manifesta aqui: nascimento, envelhecimento, lamentação, dor, doença e morte. apesar de que, pelo tempo e espaço desde o advento do Buddha a Sua disciplina não tenha se mantido livre desta nossa ânsia pela divinização, qualquer um disposto a ver verá, se procurar nos textos e refletir na vida.
mas é preciso estar disposto mesmo.
o venerável +Bhante Katukurunde Ñanananda, na sua série de sermões sobre o nibbāna, mostra que o nibbāna não escapou de ser transformado em uma espécie de paraíso.
praticar o dhamma, em última instância, me parece ser o oposto de buscar um sentido ou uma salvação, é sim um limpar os olhos e olhar cada vez mais profundamente para o que há aqui e agora, por pior que seja e por pior que vá ficando, até aceitar que a cessação é o único jeito, até vencer toda a esperança, todo o instinto que nos torce o pescoço para o céu e nos obriga a sonhar um mundo.

Não é fácil encontrar o caminho para fora da loucura do saṁsāra. Fazer isso significa que devemos estar frequentemente preparados para ir contra a corrente, para ir na contramão desse mundo. Se é para seguir esse caminho até o seu fim apropriado, então se deve verdadeiramente ser maduro, resoluto e sério.
A realização total do Dhamma, acompanhada da libertação completa e desapego total do coração, conforme descrito nos suttas antigos é, sem dúvida, muito, muito rara, de fato. Mas ainda existe. Até hoje uma estrofe de um dos raros Sayadaws reverbera profunda em minha mente: “Quando você olhar mesmo as esferas sublimes mais altas da existência, as formas de inteligência radiante e jubilosa como uma cuspideira, então você está pronto para o Nibbāna”.
  
Ven. Ottama Sayadaw


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