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sábado, 30 de março de 2013

familial

meu post anterior a este surgiu  de uma conversa que tive com meu pai, o filho da dona santinha, aquela que foi a encarnação da bondade e carinho nesta terra, de quem o filho caçula "só tem boas lembranças", uma católica fervorosa e piedosa que "só fazia o bem para as pessoas" e que eu não tive a felicidade de conhecer.
conversávamos sobre o atual câncer em família, o quarto nos últimos quinze anos. eu e ele estamos ainda no grupo dos que ajudam, apoiam, rezam e temem. cada um lidando com este medo da forma que sabe.
estas conversas sobre os grandes temas, doença, sofrimento e morte sempre rendem filosofadas. meu querido pai, nestes momentos, deixa transparecer a antiga preocupação com o filho único, tão precocemente ateu e que "pelo menos virou buddhista, graças a deus..." e ele me dizia, no seu arrashtado carioquêish que: a gente tá nessa terra para alguma coisa, rapá! ninguém vem pra cá sem uma missão!
não há o que discutir com um querido pai de sessenta e sete anos. há muito já foi o meu tempo de saber mais que ele. aos quarenta minha curtição é um não saber.
pode-se dizer que sigo à risca o conselho do velho: preciso acordar. mas não há missão alguma, pai. não estou aqui para alguma coisa, mas por causa de.
na dependência da ignorância, assim estou. o que fazer agora?
o Buddha me diz, ou melhor, eu entendo que o Buddha me diz que quando eu souber  completamente o que causa o meu estar aqui assim, aí mesmo deixarei de estar.
o saṃsāra, um vagar sem motivo que não o vagar, um vagar sem motivo ao qual pode-se atribuir infinitas missões.



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