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sábado, 23 de abril de 2016

Não Acredito

Perdi a necessidade de me convencer do que acredito.
Talvez, por isso, tenha parado por aqui.
Depois de um bom tempo, muito estudo e alguma prática possível, acabei chegando à conclusão: o buddhismo é de uma simplicidade nocauteante. O ensino do Buddha está diante meus olhos como a parede à minha frente, agora. Ou o céu, se eu for lá fora. 
E se eu fecho os olhos, eis aqui dentro, acontecendo, o que o Buddha diz que acontece.
Vez ou outra aparecem afirmações de que o buddhismo não é religião. Eu entendo. Religião, ao menos para muitos de nós, tem essa necessidade de aceitar algo pela fé, sem conhecer e muitas vezes sem esperança de vir a conhecer, numa espécie de garantia soteriológica pela ignorância. 
O buddhismo, por sua vez, me fomentou uma quase completa falta de necessidade de acreditar. Acredito muito pouco. 
Acredito que o fim completo do sofrimento é possível. O tal do Nibbāna. 
Na pior das hipóteses, é a morte mesmo. Na melhor, a não morte, pois que estar "vivo" é fruto de uma má compreensão, ou total incompreensão...
Seja como for, ambas as possibilidades são passíveis de defesa factual. 
Do fato da morte não há que se falar. O fato da composição de uma realidade por cada ser senciente é arroz de festa filosófico e científico. 
Aniquilando tudo mais que poderia ser dito e pensado, a não realidade do vazio. 
Por absurdo que possa soar, poucas coisas são mais concretas que o vazio. Depois que você se assenta na dinâmica de incessantes mudanças internas, depois que você leva a sério a realidade da sua morte, depois que você se rende à impotência da sua vontade, depois que você se desgosta com o infindável número de condicionantes e condições que compõem você, o vazio definitivamente deixa de ser um ensino, deixa de ser algo dito pelo Buddha. 
E é assim que as coisas são, ou passam a ser, ou às vezes são, às vezes deixam de ser... 
Certamente, o incerto. 
Algo em que eu não creio.
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