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sábado, 4 de junho de 2016

Na Correnteza

Je Tsong Khapa, um dos mestres do buddhismo tibetano, descreveu numa metáfora poderosa a nossa condição. Algo mais ou menos assim: estamos presos, numa gaiola, jogados num rio caudaloso, numa noite sem lua. Chacoalhados todo o tempo e levados pela correnteza, sem muita noção do que está havendo. Com minúscula oportunidade de fazer alguma coisa. Na verdade, nessa situação, 'pensar' em fazer alguma coisa já seria uma conquista e tanto.
Só compreendemos a precisão desta metáfora quando nos decidimos com alguma seriedade a trilhar o caminho do Buddha.
Quando você pensa que 'entendeu' alguma coisa, uma nova percepção revela que você está passando do ponto ou está um tanto aquém. 
Se você fizer por merecer isso.
Daí a importância de manter-se em constante busca pelo dhamma do Buddha. Aproveitando todas as possibilidades de comunicação e acesso que temos hoje. Aliás, às vezes eu penso em como as coisas podem não ser mesmo por acaso: está claro que a humanidade vai se esfarelar não demora muito. Toda essa facilidade de encontrar o dhamma é providencial!
Ouvir, ler, assistir, para quem não pode estar agarrado no manto de algum ser realizado, é fundamental. Manter o dhamma na mente, entre as sessões de meditação, é o segredo mais secreto.
Hoje eu ouvi uma coisa daquelas que fazem tomar distância, olhar, abanar a cabeça e "Putz, então é isso!"
Está num vídeo do Ajahn Mudito, monge brasileiro na Tailândia, gravado em comemoração ao Vesak, a frase: "Não há ponto de equilíbrio. Há um contínuo equilibrar."
E tudo que eu leio, releio, ouço, pondero, medito e reflito sobre suññata, anatta, pattica sammupada não foi suficiente para eliminar o erro que, a frase revelou, anda me desequilibrando.
E não foi a primeira, e eu sei, não a última vez, desse momento tapa na testa. Nossa mente é engano puro. Enquanto procura a solução vai criando mais problema pelo caminho.
Mas a satisfação do insight compensa a constatação da condição capenga. E vamos aceitando que o insight é esta própria constatação. Ainda que em partes. Ainda que em gotas.
Crer que entendeu dá aquela afagada no ego. 
Constatar que não era bem assim, dá a necessária esmerilhada.
Na noite sem lua, dentro da gaiola, na correnteza caudalosa, entre um chacoalhão e outro, a gente vai percebendo: "Talvez eu esteja num rio... Será?"


aqui o vídeo.


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