Tive um professor que marcou a minha caminhada espiritual pela personalidade e estilo de ensinar. Ele, entre outras boas sacadas, quando ensinava sobre samsara e renúncia, dizia que nosso sentimento com relação a estes tópicos era bastante curioso... Dizia que a gente sempre, sempre, lá no fundinho, tentava achar uma alternativa para a desgraça que é o mundo, a existência! Que a gente ouvia, lia, meditava mas ficava aquilo lá por baixo coçando; "Mas e se...?"; "Talvez...!"; "Será que não é deste outro jeito...!?" E completava com uma frase da qual eu me lembro sempre e que dá um bom post no momento, visto que o timão está em mais uma final!! (sim, eu sou corinthiano). Ele dizia que o samsara era muito ruim, mas se pelo menos o Corinthians fosse campeão!!
Buscando...?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
...mas é o que há para fazer
Os comentários do último post tocaram no ponto sempre delicado de prática X estudo, de ideal e realidade.
E aí eu sempre vi coisas interessantes...
Logo no início do meu envolvimento com o buddhismo, num programa da TV Cultura voltado para jovens, houve um encontro entre representantes de várias religiões e tinha lá um rapaz de uma tradição buddhista. Houve um momento em que se pediu para que cada um fizesse uma espécie de síntese de sua religião e o rapaz falou um negócio tão 'sofisticado' a respeito do buddhismo que eu fiquei, junto com a platéia, em silêncio reverente (bom, irreverente, no meu caso!). Aquilo me traumatizou e eu criei a intenção de jamais fazer um negócio daquele! Aquilo foi um exemplo claro, a meu ver, de uma abordagem intelectualizada e estéril do dhamma que não leva a parte alguma, a não ser a uma inflação do ego, talvez.
O outro lado são pessoas que à menor sugestão de dar uma aprofundadazinha no estudo, logo saem com aquele 'Ah, vai meditar! Buddhismo é prática!' Uma maneira de ver que é tão ruim, na minha opinião, quanto a outra. Sabe-se lá porque há tais comportamentos (tenho cá minhas idéias, mas não vou postar aqui agora...!) mas eles são inábeis em lidar com as dificuldades da prática.
Eu acho que o estudo é fundamental! Tão fundamental quanto a prática! Compreendermos os conceitos, trabalharmos na mente, aprofundarmo-nos neles por meio da contemplação constante, durante e após a meditação é de grande ajuda, sim! A mera lembrança de uma compreensão que tivemos, durante um momento de crise, é bastante útil no sentido de dissolver um pouco a tensão e até pode clarear a mente para a compreensão do que está ocorrendo de fato. Isso sem falar na prevenção das crises!
Nesse ponto a questão do onde estamos e do onde pensamos que estamos é crucial, como foi dito lá nos comentários... Dependendo da nossa reação aos momentos de crise, e esse é O momento, podemos avaliar como está a nossa prática da religião como um todo e ter uma idéia do que nos falta: "Será que preciso meditar mais... Ou estudar mais... Ou menos!?"
Se temos uma postura de decorar palavras bonitas e conceitos complexos ou de relaxar meditando, e não conseguimos unir as duas coisas da melhor forma que pudermos, e se deixarmos de nos questionar e de aproveitar as crises para nos avaliar, certamente nossa idéia de onde estamos não vai corresponder à realidade e aquele ideal que parecemos cultivar continurá sendo, cada vez mais, um ideal. Continuaremos ou a fugir das dificuldades ou a repetir aquilo de 'Ah, o buddhismo é difícil...! Mas não podemos desistir'. Desistir do que se nem começamos direito!?
E aí eu sempre vi coisas interessantes...
Logo no início do meu envolvimento com o buddhismo, num programa da TV Cultura voltado para jovens, houve um encontro entre representantes de várias religiões e tinha lá um rapaz de uma tradição buddhista. Houve um momento em que se pediu para que cada um fizesse uma espécie de síntese de sua religião e o rapaz falou um negócio tão 'sofisticado' a respeito do buddhismo que eu fiquei, junto com a platéia, em silêncio reverente (bom, irreverente, no meu caso!). Aquilo me traumatizou e eu criei a intenção de jamais fazer um negócio daquele! Aquilo foi um exemplo claro, a meu ver, de uma abordagem intelectualizada e estéril do dhamma que não leva a parte alguma, a não ser a uma inflação do ego, talvez.
O outro lado são pessoas que à menor sugestão de dar uma aprofundadazinha no estudo, logo saem com aquele 'Ah, vai meditar! Buddhismo é prática!' Uma maneira de ver que é tão ruim, na minha opinião, quanto a outra. Sabe-se lá porque há tais comportamentos (tenho cá minhas idéias, mas não vou postar aqui agora...!) mas eles são inábeis em lidar com as dificuldades da prática.
Eu acho que o estudo é fundamental! Tão fundamental quanto a prática! Compreendermos os conceitos, trabalharmos na mente, aprofundarmo-nos neles por meio da contemplação constante, durante e após a meditação é de grande ajuda, sim! A mera lembrança de uma compreensão que tivemos, durante um momento de crise, é bastante útil no sentido de dissolver um pouco a tensão e até pode clarear a mente para a compreensão do que está ocorrendo de fato. Isso sem falar na prevenção das crises!
Nesse ponto a questão do onde estamos e do onde pensamos que estamos é crucial, como foi dito lá nos comentários... Dependendo da nossa reação aos momentos de crise, e esse é O momento, podemos avaliar como está a nossa prática da religião como um todo e ter uma idéia do que nos falta: "Será que preciso meditar mais... Ou estudar mais... Ou menos!?"
Se temos uma postura de decorar palavras bonitas e conceitos complexos ou de relaxar meditando, e não conseguimos unir as duas coisas da melhor forma que pudermos, e se deixarmos de nos questionar e de aproveitar as crises para nos avaliar, certamente nossa idéia de onde estamos não vai corresponder à realidade e aquele ideal que parecemos cultivar continurá sendo, cada vez mais, um ideal. Continuaremos ou a fugir das dificuldades ou a repetir aquilo de 'Ah, o buddhismo é difícil...! Mas não podemos desistir'. Desistir do que se nem começamos direito!?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Difícil...
Visto que o Buddha afirmava que o seu Dhamma ia na contra-mão do mundo, e desde que nós somos parte desse mundo, estranho seria seria não encontrarmos dificuldades nele!
Se tudo no Buddhadhamma parece agradável, se toda meditação deixa uma sensação de enlevo, se todo estudo confirma tudo o que sempre pensou a respeito da vida, se o Dhamma parece ter sido exposto para você... Desconfie! Não há nada que cause algum incômodo, inquietação, que mexa com as suas crenças e convicções...? Desconfie! Pense bem... "Será que eu ouvi direito?"; "Será que é isso mesmo?"...
Você está conhecendo ou praticando o Dhamma que o Buddha ensinou ou o Dhamma que você quer?
Eu acho que as dificuldades, inquietações, e até algum mal-estar de vez em quando, não são problema. Afinal, não somos desse mundo que está na contra-mão do Dhamma?
Um problema pode ser a maneira de reagir a isto.
Temos a opção de enfrentarmos as nossas inquietações, investigarmos sem medo a verdade que o Buddha revelou, tomarmos o incômodo como um estímulo para a nossa busca levando em consideração as próprias palavras do Buddha, ou ficamos com a parte que nos parece doce e agradável, que nos tranquiliza e acalma, que se encaixa tão bem com o nosso modo de pensar... Mas que pode ser só parte do Caminho! Que se já está tão bem adaptado, não tem o que transformar! Mas não é justamente de transformação do que mais precisamos?
Se tudo no Buddhadhamma parece agradável, se toda meditação deixa uma sensação de enlevo, se todo estudo confirma tudo o que sempre pensou a respeito da vida, se o Dhamma parece ter sido exposto para você... Desconfie! Não há nada que cause algum incômodo, inquietação, que mexa com as suas crenças e convicções...? Desconfie! Pense bem... "Será que eu ouvi direito?"; "Será que é isso mesmo?"...
Você está conhecendo ou praticando o Dhamma que o Buddha ensinou ou o Dhamma que você quer?
Eu acho que as dificuldades, inquietações, e até algum mal-estar de vez em quando, não são problema. Afinal, não somos desse mundo que está na contra-mão do Dhamma?
Um problema pode ser a maneira de reagir a isto.
Temos a opção de enfrentarmos as nossas inquietações, investigarmos sem medo a verdade que o Buddha revelou, tomarmos o incômodo como um estímulo para a nossa busca levando em consideração as próprias palavras do Buddha, ou ficamos com a parte que nos parece doce e agradável, que nos tranquiliza e acalma, que se encaixa tão bem com o nosso modo de pensar... Mas que pode ser só parte do Caminho! Que se já está tão bem adaptado, não tem o que transformar! Mas não é justamente de transformação do que mais precisamos?
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