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terça-feira, 21 de abril de 2009

...mas é o que há para fazer


Os comentários do último post tocaram no ponto sempre delicado de prática X estudo, de ideal e realidade.
E aí eu sempre vi coisas interessantes...
Logo no início do meu envolvimento com o buddhismo, num programa da TV Cultura voltado para jovens, houve um encontro entre representantes de várias religiões e tinha lá um rapaz de uma tradição buddhista. Houve um momento em que se pediu para que cada um fizesse uma espécie de síntese de sua religião e o rapaz falou um negócio tão 'sofisticado' a respeito do buddhismo que eu fiquei, junto com a platéia, em silêncio reverente (bom, irreverente, no meu caso!). Aquilo me traumatizou e eu criei a intenção de jamais fazer um negócio daquele! Aquilo foi um exemplo claro, a meu ver, de uma abordagem intelectualizada e estéril do dhamma que não leva a parte alguma, a não ser a uma inflação do ego, talvez.
O outro lado são pessoas que à menor sugestão de dar uma aprofundadazinha no estudo, logo saem com aquele 'Ah, vai meditar! Buddhismo é prática!' Uma maneira de ver que é tão ruim, na minha opinião, quanto a outra. Sabe-se lá porque há tais comportamentos (tenho cá minhas idéias, mas não vou postar aqui agora...!) mas eles são inábeis em lidar com as dificuldades da prática.
Eu acho que o estudo é fundamental! Tão fundamental quanto a prática! Compreendermos os conceitos, trabalharmos na mente, aprofundarmo-nos neles por meio da contemplação constante, durante e após a meditação é de grande ajuda, sim! A mera lembrança de uma compreensão que tivemos, durante um momento de crise, é bastante útil no sentido de dissolver um pouco a tensão e até pode clarear a mente para a compreensão do que está ocorrendo de fato. Isso sem falar na prevenção das crises!
Nesse ponto a questão do onde estamos e do onde pensamos que estamos é crucial, como foi dito lá nos comentários... Dependendo da nossa reação aos momentos de crise, e esse é O momento, podemos avaliar como está a nossa prática da religião como um todo e ter uma idéia do que nos falta: "Será que preciso meditar mais... Ou estudar mais... Ou menos!?"
Se temos uma postura de decorar palavras bonitas e conceitos complexos ou de relaxar meditando, e não conseguimos unir as duas coisas da melhor forma que pudermos, e se deixarmos de nos questionar e de aproveitar as crises para nos avaliar, certamente nossa idéia de onde estamos não vai corresponder à realidade e aquele ideal que parecemos cultivar continurá sendo, cada vez mais, um ideal. Continuaremos ou a fugir das dificuldades ou a repetir aquilo de 'Ah, o buddhismo é difícil...! Mas não podemos desistir'. Desistir do que se nem começamos direito!?
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