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segunda-feira, 28 de abril de 2014

o que vemos - frequentemente bloqueia nossa visão - se falhamos em 'ver através'*

Anos atrás, conversava com um professor de dhamma sobre meditação, pedia orientações sobre como manter a mente numa postura meditativa durante o dia, a certa altura ele disse, em tom bem humorado, talvez desconfiado de que eu fosse mais um maluco que faz contato com centros de dhamma misturando Santo Agostinho com Deepak Chopra e Paulo Coelho, que eu não devia, por exemplo, dirigir meu carro focado nas sensações táteis da nuca, isso poderia gerar mais problemas que solução...
Sempre lembro desta orientação - praticar concentração em trânsito é realmente algo arriscado, ainda que trânsito, mesmo numa cidade pequena como a minha, seja um local em que permanecemos parados boa parte do tempo sem muito o que fazer.
Mas tenho uma alternativa ao tédio.
No trânsito estamos no meio do símbolo maior de nossa liberdade, vitória, sucesso como seres-humanos - o carro. O carro é um ser como nós, um pet, um amigo, um amor, uma razão para muitos. Um carro é a extensão de nosso próprio corpo e mente. Um carro nos enche de um poder, nos poweriza o ego, nos acrescenta. Obra prima de Māra, enfim.
Uma das mais poderosas imagens encontradas nos suttas antigos é a da carruagem, que pode ser lido AQUI.
Desde um tempo, então, tenho feito tal contemplação quando em trânsito, analisando o que ocorre na mente ao olhar os carros, ao estar num carro, ao pensar num carro, ao admirar um carro... decorado o raciocínio do sutta, observo o que surge na mente com a palavra "carro", com a imagem "carro"... desfazendo os carros todos em suas partes que não revelam nenhum carro, sobrando só a palavra "carro", mais nada além de uma ideia...
conduzir a análise nos mesmos moldes para as pessoas que dirigem ou se movimentam entre os carros não é tão mais difícil... Alimentando a mente com a realidade do vazio...
Há inúmeras formas de manter o dhamma na mente durante o dia conferindo um sentido à vida (encontre a sua!), principalmente quando vai-se convencendo da carência de qualquer outro sentido que não o nibbāna...
O título deste post é minha tradução para a epígrafe do livro "Seeing Through - A Guide To Insight Meditation" do mestre Katukurunde Ñāananda, disponível AQUI. Uma frase que vale manter presente na mente ou coração, ou em ambos. Tanto quanto este conselho de Ajahn Chah: "A prática do Dhamma é assim. Não é que o Dhamma esteja muito longe, ele está aqui conosco. O Dhamma não é sobre anjos nas alturas ou coisas do tipo. É simplesmente sobre a gente, sobre o que estamos fazendo agora. Observe a si próprio. Às vezes há felicidade, outras sofrimento, às vezes conforto, outras dor, às vezes amor, às vezes ódio... isso é Dhamma. Você vê isso? Você deve conhecer esse Dhamma, você precisa ler suas experiências".


E, siga o conselho daquele professor: deixe para focar a nuca em casa, na rua, foque no que está à sua frente.

* What we see - so often blocks our vision - if we fail to 'see through'


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