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Buscando...?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Doença... Saúde... Nibbana...

Imagine alguém com uma doença crônica que entre momentos de dor e sofrimento tem alguns períodos de melhora. Durante estes períodos de melhora tal pessoa aproveita o que a vida tem de bom, faz passeios, come guloseimas, vai a festas... Mas sua mente nunca está plenamente satisfeita, pois sabe que estes momentos são breves intervalos na sua real condição de enfermo. Mesmo que tenha alguma felicidade, esta é apenas temporária e fugás, sua mente está permanentemente manchada pelo sofrimento e pela certeza da sua infeliz condição.
Para um Desperto eu imagino que a situação seja exatamente a mesma mas no completo oposto! Tendo experimentado o Nibbana, tendo sabido e visto a realidade do Nibbana, Ele, ainda que aja e viva no samsara, jamais se deixa abater pelo mundo. Sua mente permanece sempre abençoada pela influência do conhecimento da cessação de todos os fenômenos, de todas as formações e impurezas. Embora caminhe e viva no mundo, ele está estabelecido na visão do vazio dos eventos do mundo. Não é possível mais para Ele cair na tristeza ou infelicidade que o mundo provoca. Ele sabe e vê o cessar. Ele sabe e vê a Paz.

domingo, 4 de janeiro de 2009

No Olho Do Furacão

Um desafio para um praticante do Dhamma do Buddha é manter-se atento, manter uma postura investigativa diante da vida e de si mesmo, manter a introspecção...
E há os momentos de crise. Crises vem das mais diversas fontes e das mais variadas formas. Afinal, é a natureza do samsara! E durante estes momentos terríveis, um aspecto do desafio é tentar achar alívio no Dhamma, tentar descobrir como o Dhamma do Buddha pode ajudar... Pelo menos é para mim! O mal estar daquela sensação que ameaça a fé... Ali, no olho do furacão, tudo o que parece ter sentido é o sofrimento e a ânsia incontrolável de reagir, gritar, fazer alguma coisa para acabar com aquele momento, voltar aos bons tempos de prática tranquila, meditação calmante, leitura, estudo e certeza de que aquilo tudo é verdadeiro!
Estas crises são grandes espelhos onde podemos ver o quanto de nossas certezas não são apenas mais construções do ego que quer estar sempre zen, que mais cria que caminha, que mais quer do que abandona, que mais acha do que sabe...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Queremos Já! E Queremos Quentinho!


Nós queremos tudo fast.
E delivery.
E o Buddha não oferece isso.
O Buddha nos instrui a questionar, pensar, refletir, construir a sabedoria insight a insight. Não há, no Buddhadhamma, o ensinamento do Buddha, o conhecimento pronto... Bom, até há! Existem lá uns suttas em que o Buddha fala de renascer em paraísos ou infernos ou de lembrar de vidas passadas e outras coisas mais estranhas... Mas isso, comparado ao grosso do ensinamento, é tão pouco falado! E por ser tão pouco podemos deduzir a importância que o Buddha dava a tais assuntos! E não só por isso. O Buddha falou de forma clara e direta, inúmeras vezes, que metafísica não fazia parte do Caminho que ele ensinava por razões bem simples: não conduz ao fim de dukkha!
Assumir, de uma hora para outra, uma crença buddhista não significa muita coisa!
E, como eu comecei o texto, parece algumas vezes que a nossa preferência por coisas rápidas e prontas e entregues em casa influencia a nossa 'busca espiritual'... Parece que estamos em busca de algo que nos torne mais sábios, mais felizes, mais isso ou aquilo e, de preferência, sem sairmos de casa, ou falando de forma mais profunda (he, he), sem sairmos do conforto de nossas auto imagens, sem abrir mão de nossos 'pontos de vista', opiniões e por aí vai, ou melhor, por aí fica!
E ficamos nessa, empacados no Caminho! Pois que o Buddha ensinou um Caminho! Precisamos sair, abandonar, ter curiosidade, assumir o risco, conhecer e reconhecer, investigar e, principalmente, ter disposição de mudar de rumo quando algo nos mostrar que é o melhor a fazer.

Speech by ReadSpeaker