What is your language?

Bornes relacionados com Miniaturas

Buscando...?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fé em Sila 2


De imediato é possível perceber que todos os cinco preceitos nos conduzem a uma contenção do nosso sentimento exacerbado de ego. Ferir, roubar, enganar, usufruir dos outros ou nos abandonar aos gozos ou nos embriagar significa que acreditamos que somos mais importantes, em alguma medida, que os outros seres.
Mas tem mais.
Causar dano é o caso mais óbvio. Com o ego inflado, dando-nos o direito de ferir outros seres, negamos a capacidade que temos de sentir compaixão, de nos pôr no lugar dos outros, de tentar enxergar as coisas a partir de um outro ponto de vista. É virtualmente impossível existir sem, de alguma forma, ferir outros seres. Mas fazer disso uma justificativa para agir de forma irrefletida e desreipeitosa para com o sofrimento alheio, cegos e indiferentes é o que me parece ser o grande problema a ser evitado e corrigido pela visão da realidade. Não ferir e proteger os seres está baseado na realidade da interpendência de todos os fenômenos, na igualdade da nossa natureza sofredora e no fato de que todos tem os mesmos direito e desejo de não sofrer. E exercitar este duvidar da própria importância diante do universo, faz com que nos aproximemos da visão da irrealidade do nosso ego.
Assim, abster-se de causar dano e agir ativamente pelo bem estar dos seres fundamentado nesta visão, constitui-se num treinamento que, por estar de acordo com a natureza da realidade, nos capacita a vivê-la cada vez mais profundamente.

Fé em Sila 1


Sila, ou a disciplina moral buddhista significa, fundamentalmente, não ser causa de sofrimento a seres aptos a sofrer. Nós mesmos, inclusive. Tomar os Cinco Preceitos são a forma mais básica de um buddhista se comprometer com sila.
A forma como tenho gostado de pensar neles é: Não matar (causar danos), não roubar (tomar posse de forma ilícita), não mentir (enganar), não se comportar de forma prejudicial no campo da sensualidade e não consumir intoxicantes.
Além da abstenção destes comportamentos inadequados, o exercício daqueles comportamentos que atuam como opostos também fazem parte do compromisso. Assim, não causar dano é melhor se acompanhado de uma atitude de proteção e fomento ao bem estar dos seres; não roubar e respeitar e proteger as posses dos outros; não enganar e ser verdadeiro, sincero e transparente em palavras e atos; não ter comportamentos sensuais inadequados e não fomentá-los nos outros; não consumir intoxicantes e exercitar o discernimento.
O manter dos preceitos depende, em grande medida, da fé. Existe a fé no kamma. Manter os preceitos tanto nos protege do mau kamma quanto nos favorece a acumular o bom kamma. Porém, o kamma é uma coisa que para a imensa maioria dos buddhistas está mais ligado à crença. Acho que uma forma mais fiel ao entendimento de fé como sendo confiança, é a compreensão de que sila implica no comportamento que está de acordo com a natureza da realidade conforme o Buddha a ensinou, sendo assim um treinamento que habilita a mente a cada vez mais estar em sintonia com esta visão da realidade. E quanto mais compreendermos a visão de realidade ensinada pelo Buddha, maior será a nossa fé em sila.

quinta-feira, 2 de abril de 2009


Fé no buddhismo é dependente de compreensão. Quanto mais compreendermos o ensinamento do Buddha, maior será a nossa fé. Não há a necessidade de crer em primeiro lugar. O que não significa que não haja aspectos do Caminho que dependam de uma aceitação pré-compreensão (por algum tempo, pelo menos, é o que dizem...!). Mas estes não são fundamentais a ponto de impedir alguém de tornar-se um buddhista por não aceitá-los completamente. O Caminho é gradual e as verdades fundamentalmente relevantes para o despertar são acessíveis para quem puser em prática as instruções do Buddha.
Assim, fé assume um significado de confiança mais do que de crença. Uma confiança no Buddha é o suficiente para começar a praticar. Um voto de confiança.
Alguém que sinta a necessidade de, por qualquer motivo que seja, iniciar um caminho espiritual e entre em contato com o buddhismo, pode ter despertado em si esse voto de confiança pela mera compreensão intelectual dos princípios básicos do Dhamma. A partir daí, o Caminho gradualmente se constrói. E um objeto dessa fé/confiança no Caminho é o princípio chamado de Os Três Treinamentos: sila, samadhi, pañña (disciplina moral, concentração, sabedoria).

Speech by ReadSpeaker