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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ano novo, impermanência e morte

O ano acabou em chuvas na minha região. Nuvens carregadas estragaram a festa de muita gente. E muita gente começa o ano sem casa, comida, dinheiro e saúde. Alguns sem vida. A situação mais triste é de uma cidade patrimônio histórico do estado de São Paulo: São Luís do Paraitinga.
Construções da época colonial ruíram devido a enchente que cobriu a maior parte da cidade. A igreja matriz foi completamente destruída. Foi ao chão. Casas, pontos de comércio, histórias apagadas. Gente que começa o ano no zero.
Uns dias antes do desastre, eu passei duas vezes pela entrada da cidade. Estava tudo bem. Construções de pé, vaquinhas pastando, rio correndo. Aí, veio o réveillon.
Quando eu era moleque tinha a mania de pensar: como estarei daqui a dez anos? Tinha a sensação de que eu seguiria seguramente pelos anos afora e em dez estaria de tal ou qual forma.
Hoje é diferente.
Estava no trabalho, ontem, pensando em uma data que virá daqui a alguns meses. Um evento. E tive uma clara sensação do quão estranho é pensar assim. Uma sensação de absoluta incerteza. Como eu posso saber se estarei aqui em alguns meses? Sem verbalizar desta forma, foi o alerta que piscou na minha mente. Isto, curiosamente, não implica em aflição, tristeza, morbidez. Há um senso sutil de séria consideração pelo momento presente. De reconhecimento e reflexão sobre o fato de que neste processo que sou eu, nada vai sobreviver até lá, mas cada ato, pensamento, fala, intenção e hábito será o condicionante daquilo que surgir. Daqui a pouco, amanhã, mês que vem, daqui a dez anos, depois de uma tragédia...
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