What is your language?

Bornes relacionados com Miniaturas

Buscando...?

sexta-feira, 10 de maio de 2013

há dhamma

numa sala de reunião em que se trata com enorme seriedade de assuntos relativos ao continuar do giro do mundo com cada um interessado em manter seu próprio mundo girando há dhamma. 
no meu corpo o desconforto: eu respiro, se inspiro eu preciso inspirar, e vice-versa, todo o tempo. minhas pernas, minha coluna, minhas nádegas, meu pescoço, meus ouvidos, meus olhos, por trás deles sempre presente uma vontade de não querer ser dor. 
inútil. 
e cada mudança de postura é fruto da esperança desta elucubração que não quer ser desconforto. 
inútil.
o mundo gira. e cada mundo ao meu redor naquela sala.
um movimento neste, outro naquele, um sispiro leve, outro mais profundo, outro coça a cebeça: todos em tentativas vãs de deixar de ser desconforto, o desconforto do giro do mundo. somos todos iguais, pobres diabos, bolotas de deterioração.
numa sala de reunião em que se trata com enorme seriedade de assuntos relativos ao continuar do giro do mundo com cada um interessado em manter seu próprio mundo girando há dhamma.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

cão


feliz foi o nome dado pelo mais novo da casa ao recém chegado cão. 

os mais novos, com a desculpa justa da imaturidade, carecem de olhos precisos, tudo que lhes parece bom é totalmente bom. feliz ficou sendo.
a manhã daquele dia raiara obediente às preces e desejos de todos. seria dia de praia. que felicidade. e a felicidade do dia estava plena daquele poder que tem de cegar, excitar, confundir. batiam uns nos outros nas céleres arrumações para o passeio. feliz saltitava. 
nós, que agora observamos a cena, apesar de podermos sugerir alguns outros nomes como fiel, amigo, belezinha, carinhoso, não temos como discordar do batismo feito pelo menor de todos: feliz era isso mesmo acima de tudo. 
feliz, por misteriosa influência do nome, ou mais certo, meramente por ser um cão, era incapaz de ver que o passeio não era para ele. feliz  ficaria.
um grita daqui, outro cobra de lá, aquela responde, alguém confirma: tudo pronto! vamos embora. 
feliz fica. agora só nome.
na barafunda daquela manhã, entre ralhos e afagos, inventaram coisas demais para muitos darem conta. ninguém lembrou da vasilha de água.
feliz já sentia sede.

pra você, eu e todo mundo cantar junto

um bom amigo tem se interessado por buddhismo e meditação, variando a ordem dos interesses. tem lido e pesquisado na rede e diz inclusive que descobriu este blog googlando em busca de dhamma  por aí. gostei! 
ele está, como a maioria de nós, entre o nosso lar e a vida sem lar. 
caminha.
numa conversa recente me dizia que "assunto espinhoso este de anattā! esta coisa no buddhismo é que é difícil, hein?". percebo que o rapaz tem bons olhos, já vi e vejo de gente mais adiante na senda afirmar que 'é só desapegar, é só não ter apego...' 
só, olha só. 
o venerável bhante katukurunde ñanananda diz em algum dos sermões sobre nibbāna que realizar anattā é, em si mesmo, o nibbāna.
que bom que seja fácil para alguns. que bom que haja alguns capazes de ver e reconhecer os espinhos. anattā, anicca e dukkha não são visões ou crenças a se adotar, são experiências a se ter. primeiro estudamos, lemos e compreendemos; comparamos esta compreensão com o mundo que conhecemos em seus aspectos interno e externo e decidimos se vale a pena continuar aprofundando as percepções que surgirem. 
se somos sinceros, talvez este estudo comece a vir de encontro ao rumo que naturalmente temos mantido na vida, me parece que é neste momento que devemos abrir bem os olhos para sinceramente ver que não é fácil ou se está sendo fácil demais.

Speech by ReadSpeaker